Berna: o charme histórico da capital Suíça

Nesse último post sobre nossa viagem pela Suíça, vamos falar sobre sua capital, Berna. E começo com uma confissão: Berna quase ficou de fora da nosso roteiro...
Quando começamos a montar o planejamento, eram tantos os lugares que a gente queria incluir... Mas a gente só tinha 12 dias e a escolha foi um desafio e tanto. A primeira decisão certamente era entre a Suiça Alemã, a Francesa ou a Italiana... Optamos pela Alemã.. Aí tinha Zurique, Lucerna, Interlaken, com os majestosos Alpes, lindos vilarejos de Jungfrau espalhados pelas margens dos lagos deslumbrantes ou encravados na montanha... (no final desse post tem links para os relatos dos outros lugares que visitamos). Era tanto lugar imperdível que bateu aquela dúvida: será que valia mesmo a pena reservar dois dias para Berna? A princípio, a cidade me pareceu meio sem graça, sem muitos atrativos... Zeca insistiu: "Berna vai nos surpreender". E ele não poderia estar mais certo!!!!
A capital suíça acabou sendo uma das grandes surpresas da viagem e uma escolha perfeita para encerrar nossos dias pelo país. É uma cidade linda, elegante, histórica, mas ao mesmo tempo jovem e descolada. Tem um centro medieval impecavelmente preservado, lojas modernosas de design, grifes internacionais, bares escondidos em antigos porões, um rio de águas verde-esmeralda praticamente abraçando a cidade e até ursos vivendo no meio disso tudo.


E o que muita gente não sabe é que é Berna, e não Zurique ou Genebra, a capital da Suíça. Ou, mais precisamente, sua “cidade federal”, sede do governo e do Parlamento suíços. Com cerca de 147 mil habitantes, é relativamente pequena para uma capital, e talvez seja justamente aí que esteja parte do seu charme. Não tem cara de metrópole e é muito fácil de explorar a cidade a pé, sem pressa.
Seu centro histórico, a Altstadt, foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO e ocupa uma península formada por uma curva do rio Aare. É ali que se concentra boa parte das atrações e também algumas das características que fazem Berna tão diferente de outras cidades suíças: prédios de arenito, ruas de pedra, fontes renascentistas coloridas, bandeiras por todos os lados e quilômetros de arcadas cobertas.
Foram dois dias caminhando muito e descobrindo uma cidade que conseguiu combinar história, natureza e vida urbana de um jeito muito particular. E pensar que a gente quase não foi...
Onde ficamos em Berna
Escolhemos o Prize by Radisson Bern City, um hotel de perfil executivo, moderno e confortável, localizado fora do miolo da Altstadt, numa parte mais alta da cidade.

À primeira vista, fiquei um pouco receosa por não estarmos hospedados dentro do centro histórico. Mas na prática, não fez a menor diferença. O transporte público em Berna é ótimo e havia ônibus praticamente na porta do hotel. Também era possível chegar ao centro caminhando e, como descobriríamos no dia seguinte, fazendo um passeio lindo pelo Rosengarten (o Jardim das Rosas) e descendo a colina em direção ao rio, até chegar ao BärenPark (o Parque dos Ursos).
O hotel tem quartos confortáveis, um café da manhã correto e um bar no rooftop onde, na chegada, ainda ganhamos um welcome drink. Cumpriu muito bem sua função e acabou nos permitindo conhecer também uma Berna mais cotidiana, fora do circuito estritamente turístico.
Dia 1: nosso primeiro encontro com Berna
Nos despedimos de Wengen pela manhã, já com muita saudade dos cinco dias incríveis que vivemos no coração dos Alpes. Embarcamos em nosso trem, que fez conexões em Lauterbrunnen e Interlaken e chegamos a Berna perto da hora do almoço.
Logo em frente à estação ferroviária, encontramos uma profusão de ônibus chegando e saindo para todos os lados. Zeca olhou para aquilo e decretou: "Parece a Lapa. Só que chique...." Para quem não é de Salvador, a Lapa é um dos grandes terminais de ônibus no centro da cidade. Digamos então que encontramos em Berna uma improvável versão suíça do fervo da Lapa soteropolitana. Organizada, silenciosa e pontual. Vai querendo, Salvador... kkkk


Com a ajuda do app SSB Mobile, identificamos a linha que tínhamos que pegar e em poucos minutos o ônibus chegou e embarcamos rumo a nosso hotel. Quem leu os outros posts dessa viagem pela Suíça, a essa altura já tá cansado de saber o quanto é fácil se deslocar por esse país, seja de trem, de ônibus, de tram, de barco... Quase tudo está incluído no Swiss Travel Pass, um passe que se compra com antecedência para circular livremente, sem horário marcado ou reservas, pelo maravilhoso transporte público suíço, permitindo uma flexibilidade sensacional durante toda a viagem. Fica a dica!
O breve trajeto da estação de trem até o hotel nos levou por uma Berna bem local: ruas comerciais, bairros residenciais, restaurantes, gente indo e vindo. Quase não havia turistas no ônibus. Éramos nós e os moradores tocando a vida. Fizemos uma rápida parada no hotel somente para fazer o check in e deixar as malas e logo estávamos de volta ao ônibus para começar nossa exploração pela Altstadt, como é conhecido o centro histórico. O dia estava nublado, mas a chuva acabou não chegando para atrapalhar nossos planos.

Altstadt: uma cidade medieval muito viva
Berna tem um daqueles centros históricos que parecem cenários de filme, mas sem aquela sensação de que a cidade foi congelada no tempo apenas para receber turistas. A Altstadt é linda, medieval e histórica, mas continua absolutamente viva.
São ruas de pedra ladeadas por prédios antigos de arenito, fontes coloridas, cafés, restaurantes e lojas. E uma das características mais interessantes são as chamadas Lauben, arcadas cobertas que acompanham boa parte das ruas do centro histórico.

São cerca de seis quilômetros de passagens protegidas, criando uma das mais extensas áreas comerciais cobertas da Europa. Uma ideia bastante inteligente para uma cidade onde chuva e neve fazem parte da rotina: mesmo com o tempo ruim, dá para passear, fazer compras e atravessar boa parte da Altstadt sem precisar abrir o guarda-chuva.
Outro detalhe que nos chamou muito a atenção foram as portinhas e escadas que aparecem no nível da rua e descem para antigos porões abobadados. Você olha para baixo e descobre uma boutique, uma galeria, um bar, uma loja de design...

Nossa velha companheira Coop
Mas antes de seguir nosso passeio, precisávamos resolver uma questão bem mais urgente: a fome. E quem apareceu para nos salvar mais uma vez? Nossa velha companheira de viagem pela Suíça: a Coop. Quem leu os outros posts desta série já percebeu que desenvolvemos uma relação de amor com essa rede de supermercados. Hahaha... A Coop tem uma variedade enorme de comidas prontas e gostosas e virou nossa fornecedora oficial de piqueniques, lanchinhos e almoços improvisados.
A unidade que encontramos em Berna ainda tinha uma ótima surpresa: no andar superior funcionava uma vinoteca, com algumas mesinhas. Compramos nossas comidinhas lá embaixo e subimos. Para acompanhar, uma coisa em especial que eu adorei na Coop são as garrafinhas de vinho próprias para um bom piquenique. Elas ficam geladinhas, é só abrir a tampa de rosca e servir no copinho de plástico que vem junto. Um charme!

Pronto. Almoço resolvido. E seguimos nosso passeio.
Os símbolos de Berna
Caminhar pelo centro histórico de Berna é uma delícia. As bandeiras penduradas nas fachadas dão um colorido lindo às ruas de pedra e as fontes históricas aparecem pelo caminho como se fossem parte natural do mobiliário urbano.

Falando em fontes, assim como em Lucerna, elas são uma marca da personalidade de Berna. Aliás, a capital Suíça é conhecida como a cidade das fontes. São mais de cem espalhadas pelas ruas, várias delas datadas do século XVI e decoradas com figuras coloridas que representam personagens históricos, alegorias e até criaturas bastante peculiares. E assim como em outras cidades da Suíça, a água é potável, então é só encher a garrafinha e beber.
A fonte mais aterrorizante da Suíça fica em Berna

Uma das fontes mais famosas de Berna é a Kindlifresserbrunnen, ou “Fonte do Comedor de Crianças”. Sim, é exatamente isso que você leu. A escultura mostra uma figura devorando uma criança enquanto outras aguardam seu destino dentro de um saco. Ninguém sabe ao certo o significado da cena e existem diferentes teorias para explicá-la. Digamos que os bernenses do Século XVI tinham um senso estético um pouco peculiar...
Continuamos caminhando até chegar ao Zytglogge, a famosa Torre do Relógio, um dos grandes símbolos de Berna. A torre teve várias funções ao longo dos séculos. Já foi parte da fortificação da cidade, prisão e torre de vigia e ganhou seu famoso mecanismo astronômico no Século XVI. Pouco antes de cada hora cheia, acontece ali um pequeno espetáculo: um galo canta, ursos começam a desfilar, um bobo da corte entra em cena e Cronos, o Deus do tempo, vira sua ampulheta, enquanto o mecanismo anuncia a passagem das horas.

Seguimos pela Kramgasse admirando as vitrines das charmosas lojas pelo caminho. Há desde grandes marcas internacionais até pequenas boutiques de design, decoração e artesanato. Mas o que achei mais interessante foi justamente essa mistura. Hoje em dia, você encontra as mesmas marcas nas famosas ruas de grife de Paris, Madri, Roma ou qualquer outra capital européia. Em Berna, marcas conhecidas dividem espaço com lojinhas locais cheias de personalidade, algumas escondidas sob as arcadas ou nos porões dos prédios históricos, com peças de design e artesanato realmente diferentes e originais.
Dá vontade de entrar em todas. Comprar já é outra história, porque o franco suíço não encoraja muito esse tipo de entusiasmo. 😂
E é nesses contrastes que mora o encanto de Berna. Uma cidade medieval cheia de lojas contemporâneas. Uma construção de séculos atrás abrigando uma grife internacional. Uma lojinha modernosa de design escondida dentro de um porão. Antiguidades convivendo com vitrines sofisticadas e marcas que você encontraria em Paris ou Milão. Tudo junto e misturado, convivendo harmoniosamente.
O rio Aare e os ursos de Berna
Outro símbolo muito fofinho de Berna e que está por toda parte é o urso... Você vai encontrá-lo no brasão, nas bandeiras, nas fontes, nas fachadas, nas lojas....

E logo teríamos nosso primeiro encontro tête-à-tête com esses charmosos personagens...
No final da nossa caminhada pela Altstadt, chegamos finalmente a uma das pontes mais famosas de Berna, a Nydeggbrücke. E foi ali que, de repente, a cidade se abriu diante de nós. Correndo abaixo da ponte, está o majestoso rio Aare, com uma inacreditável tonalidade verde-azulada, contornando os telhados antigos das casas. Ao redor, muita vegetação. Ao fundo, as torres recortando o horizonte. É uma vista espetacular, de tirar o fôlego.


Do outro lado da ponte fica uma das atrações mais curiosas da cidade: o BärenPark, o Parque dos Ursos. A relação de Berna com os ursos é antiga e o animal é símbolo da cidade há séculos. Durante muito tempo, eles foram mantidos no antigo Bärengraben, um fosso de pedra. Em 2009, foi inaugurado o atual parque, uma área de cerca de 6 mil metros quadrados que desce pela encosta até o Aare e permite que os animais caminhem entre árvores e arbustos, escalem, brinquem, entrem na água ou simplesmente desapareçam da vista dos turistas quando estiverem a fim de sossego.

Atualmente vivem ali três ursos-pardos: Björk, Finn e Ursina. Björk nasceu na Dinamarca e Finn, na Finlândia, e os dois chegaram a Berna para viver no BärenPark. Em 2009, Björk deu à luz duas ursinhas gêmeas, Ursina e Berna. Com o crescimento das filhotes, porém, começaram os conflitos naturais com a mãe e, alguns anos depois, Berna foi transferida para um parque na Bulgária. Ursina ficou ao lado dos pais, compondo o trio de moradores mais famoso da cidade.
E tivemos sorte: eles estavam passeando pelo parque. Ficamos um bom tempo observando a movimentação da simpática família caminhando pela encosta. No dia seguinte voltaríamos ali e teríamos um encontro ainda mais divertido.
Cerveja com vista para o Aare
Depois de tanto andar, chegou a hora de uma pausa para recarregar as energias. Praticamente colado ao Parque dos Ursos fica a Altes Tramdepot, uma microcervejaria e restaurante que funciona desde 1998 e produz sua própria cerveja em enormes tanques de cobre instalados dentro do salão. O ambiente é grande, descontraído, com uma pegada industrial muito bacana e uma localização privilegiada, com vista para o parque e para o Aare.

Pedimos uma régua de degustação com vários estilos de cerveja. Zeca fez as honras da casa tomando um shot de cada vez!
Para acompanhar, escolhemos um Emmentaler Rösti, prato tipicamente suíço e nada, absolutamente nada, light: um rösti coberto com queijo gratinado e generosas tiras de bacon. Delicioso. E engordativo o suficiente para devolver, de uma só vez, todas as calorias que gastamos caminhando o dia todo pela cidade.
Quando terminamos, já estava anoitecendo e a chuva finalmente tinha chegado.
Pegamos o ônibus de volta para o hotel e encerramos nosso primeiro dia em Berna.
E eu já estava completamente rendida à cidade.

Dia 2: jardins, ursos, mercados e uma Berna vista de outros ângulos
Acordamos com um cenário completamente diferente. Se no dia anterior Berna tinha se apresentado sob um céu cinzento, naquele segundo dia o tempo estava lindo.
Tomamos café no hotel e partimos para nosso passeio. Como nosso hotel ficava numa região mais alta, começamos o dia descendo a pé em direção à cidade. E a primeira parada estava praticamente ao lado: o Rosengarten.
Rosengarten: Berna vista de cima
O Rosengarten, ou Jardim das Rosas, é um grande parque localizado numa colina acima da Altstadt. Além dos jardins, esculturas e centenas de variedades de flores, seu grande trunfo é a localização.

De seus mirantes temos uma das vistas panorâmicas mais bonitas de Berna: os telhados avermelhados da Cidade Velha, as torres, as pontes e o Aare desenhando sua curva ao redor da cidade. É lindo.
E foi ali que encontrei um velho conhecido: Albert Einstein.
Einstein viveu em Berna entre 1902 e 1909 e foi justamente durante esse período que desenvolveu algumas das ideias que mudariam para sempre a física moderna. A casa onde morou com a família, na Kramgasse, hoje abriga a Einstein Haus, um pequeno museu que não chegamos a visitar. Mas no Rosengarten há uma escultura em tamanho natural do cientista sentado em um banco. Sentei ao lado dele e aproveitei para colocar a conversa em dia.

Zeca achou que eu estava ficando meio doida. Cada um com seus problemas.
BärenPark: mais um encontro com os ursos
Do Rosengarten, começamos a descer a colina em direção ao BärenPark. E, dessa vez, encontramos os adoráveis ursos em plena atividade no antigo fosso de pedra. Foi divertidíssimo.

Eles subiam nos troncos, desciam, caminhavam de um lado para o outro e proporcionavam um verdadeiro espetáculo para o pequeno grupo de turistas que, como nós, ficou ali acompanhando a movimentação. Passamos um bom tempo assistindo aos três e tirando milhões de fotos. Não dá vontade de levar pra casa???
Depois pegamos o pequeno elevador panorâmico que liga a parte superior do parque à margem do rio. Ele é todo de vidro e o trajeto é curtinho, mas oferece outra perspectiva muito bonita do Aare e da encosta.

De cima, a vista é espetacular. Já na parte de baixo, encontramos um caminho para pedestres que vai acompanhando o rio.
Resolvemos dar uma caminhada. O cenário era lindo: muito verde, o Aare correndo ao nosso lado, moradores caminhando, correndo e fazendo exercício. Só havia um pequeno problema: não tínhamos a menor ideia de onde aquela trilha iria dar. Depois de algum tempo, fizemos uma rápida avaliação da situação e concluímos que estávamos gastando uma energia gigante para caminhar sabe Deus até onde. Meia-volta, volver... Hahaha... Percorremos a trilha de volta, subimos o elevador e atravessamos para o outro lado do rio.
Rio Aare: um parêntese para falar sobre os suíços e essa mania de entrar na água
Caminhando pela margem do rio Aare, lembrei de um programa que quase entrou no nosso roteiro e que diz muito sobre a relação dos suíços com seus rios e lagos.
No verão, o Aare deixa de ser apenas a linda moldura verde-azulada de Berna e vira um grande clube ao ar livre, repleto de praias onde a galera pega um solzinho nas margens e dá um tchibum nas águas límpidas (e geladas) do rio. Com cerca de 292 quilômetros, ele é o rio mais longo que corre inteiramente dentro da Suíça. Nasce nos Alpes Berneses, alimentado pelas geleiras da região, atravessa paisagens espetaculares (inclusive os lagos de Brienz e Thun), contorna Berna naquela curva tão característica e segue viagem até desembocar no Reno, perto de Koblenz, na fronteira com a Alemanha.

Em Berna, um dos programas preferidos dos locais é caminhar pela margem rio acima, entrar na água e simplesmente se deixar levar pela correnteza até a região do Marzili, uma grande área pública de lazer às margens do rio. Alguns fazem isso depois do trabalho, outros na hora do almoço. E existe até uma bolsa impermeável própria, a Aarebag, onde você coloca roupa, celular e outros pertences para levá-los rio abaixo com você. Eu achei aquilo o máximo.

Quem me conhece sabe que qualquer programa que envolva mar, rio ou lago imediatamente desperta minha atenção. E comecei a pesquisar. Foi aí que descobri o Aareböötle, outra tradição local: descer o Aare em botes infláveis. A rota clássica começa na região de Thun e segue rio abaixo até Berna, com direito a paradas para piquenique e churrasco pelo caminho. No verão, o rio fica tomado por grupos fazendo o percurso. Tem até gente pulando das pontes!
Pronto. Eu queria.
E minha imaginação foi longe: depois de nossos dias na região de Interlaken, poderíamos seguir até Thun, colocar as malas sabe Deus onde e chegar a Berna... de bote! Pesquisei empresas, horários, o que fazer com a bagagem e descobri até passeios com catering e churrasco. Por alguns momentos, aquilo me pareceu uma ideia perfeitamente razoável. Hahaha...
No final, desistimos.
Era início de junho e o verão suíço se aproximava. Para os padrões suíços, a temperatura da água do Aare começa a "esquentar" nessa época, ficando na faixa dos 14 a 16 °C. A partir dos 15 °C, os bernenses já começam a se animar; com 16 °C, o passeio de bote já é considerado viável e, acima dos 18 °C, aparentemente começa a ficar “agradável”. Suíços e brasileiros têm, definitivamente, conceitos diferentes sobre o que seja uma temperatura agradável para entrar num rio. Hahaha...
Também cogitamos conhecer o Marzili só para ver o movimento, mas, como não entraríamos na água, acabamos deixando para outra vez. E talvez tenha sido uma decisão sensata. Apesar de toda essa aparente descontração, o Aare tem uma correnteza forte e nadar ali não é brincadeira. A recomendação é apenas para nadadores experientes, que conheçam previamente os pontos seguros de entrada e, principalmente, de saída do rio.
Mas fiquei fascinada com essa relação dos suíços com a água. Já tínhamos visto gente entrando no rio em Zurique numa época em que, para mim, aquela água deveria estar próxima da temperatura de um balde de gelo. Em Berna, descobri pessoas que voltam do trabalho flutuando pelo Aare. Cada povo com suas manias.

Ah se eu morasse em Berna... Voltava pra casa flutuando pelo Aare fácil!!!!
Mas voltando à realidade, nosso passeio se concentrou em terra firme mesmo...
A Berna monumental
Seguimos então contornando a região da Altstadt, observando a cidade de outros ângulos. Visitamos a Catedral de Berna, a Berner Münster, cuja torre com pouco mais de 100 metros domina o skyline da cidade e é a mais alta torre de igreja da Suíça. Entramos na igreja, mas dispensamos os mais de 300 degraus que levam ao alto da torre.

Nos arredores da Catedral fica a Münsterplattform, um terraço elevado sobre o Aare com uma vista linda para o rio, para o bairro de Matte e para as encostas do outro lado.

Depois seguimos em direção ao Bundeshaus, o Parlamento suíço. Em frente ao prédio fica a Bundesplatz, uma grande praça que tem uma atração curiosa: 26 jatos d'água brotam diretamente do chão, representando os 26 cantões suíços.

Logo mais a frente, demos de cara com um programa que a gente ama: uma feira ao ar livre. Dezenas de barracas de frutas e verduras, queijos, embutidos, pães, flores, chás, temperos, artesanato... Zeca parecia um pinto no lixo!!

Paramos numa banca de especiarias e compramos vários temperos.
A fome apareceu e resolvemos almoçar ali mesmo. Encontramos uma espécie de sanduíche de linguiça, nosso “choripán suíço”, preparado por um vendedor armênio simpaticíssimo.
Além de gostoso, o sanduba nos trouxe imediatamente lembranças do nosso antigo food truck no Brasil. ❤️
Uma última volta pela Altstadt
No fim da tarde voltamos para a Altstadt. Foi gostoso percorrer novamente as ruelas sem pressa e descobrir coisas que não tínhamos notado no primeiro dia. Foi nesse rolê que encontramos a Holzart – Engel & So, uma loja especializada em pequenas peças artesanais de madeira, muitas delas feitas e pintadas à mão: anjos, casinhas, personagens, brinquedos, presépios, enfeites e aquelas tradicionais pirâmides natalinas que giram com o calor das velas. É tudo de uma delicadeza absurda.


Não resisti e comprei duas adoráveis casinhas suíças feitas de alumínio pintado, usadas para queimar incenso - uma para mim e outra para minha mãe. E esse é outro aspecto que adorei em Berna: o comércio faz parte da experiência de caminhar pela cidade. Não são apenas lojas de lembrancinhas para turistas. Há artesanato, design, gastronomia, antiguidades, grandes grifes e pequenas lojas autorais convivendo dentro daqueles prédios históricos.
Já cansados, decidimos voltar ao hotel para tomar um banho, descansar um pouco e sair para jantar. Para nossa despedida, tínhamos feito uma reserva no Brasserie Bärengraben, um pequeno bistrô francês perto da ponte e do Parque dos Ursos. Foi gostoso, ambiente agradável, mesa perto da janela, com vista para o rio, boa comida.

Apesar de não ter entrado para a lista das experiências gastronômicas inesquecíveis da viagem, cumpriu muito bem sua missão naquela noite. Estávamos muito felizes com tudo que tínhamos vivido nesse país incrível.
Nossa despedida da Suíça
Quando saímos do restaurante, resolvemos caminhar mais um pouco pela Altstadt.
A noite já tinha caído e Berna estava linda. As luzes começavam a acender nas fachadas, nas pontes e nas ruas. Os telhados escuros se recortavam contra o céu e o Aare continuava correndo silencioso lá embaixo.

Era praticamente a nossa última noite na Suíça. No dia seguinte, pegaríamos o trem para Zurique, onde faríamos um pernoite já perto do aeroporto para, de lá, começar a longa viagem de volta ao Brasil.
Então andamos devagar pelas ruas da Alstadt pensando que Berna foi uma daquelas surpresas que acontecem quando a gente abre um pequeno espaço no roteiro para um lugar sobre o qual não criou grandes expectativas. Capital de um dos países mais incríveis do mundo, mas com seu jeitinho de cidade pequena. E ainda tinha o Aare, os ursos, as fontes, as bandeiras, os porões, as cervejas, as lojinhas...
Zeca tinha razão. Berna me surpreendeu! Ainda bem que ele insistiu.
Para saber mais sobre nossos dias na Suíça, leia os outros posts dessa série.
10 coisas imperdíveis na Suíça Alemã
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